o que se perde enquanto os olhos piscam*

sexta-feira, 15 de julho de 2011

tanta pipa solta no céu
e eu aqui, com os pés fincados no chão -
é,acho que tá na hora de voltar a voar...

domingo, 24 de abril de 2011

gosto de tudo aquilo que cutuca minh'alma e bagunça com aquilo que eu pensava ser coisa certa, conceito formado.
e dou graças a todos os encontros que me tiraram do eixo,
e a todas as pessoas que me despertaram paixão e, de algum modo (direto, indireto ou intransitivo) fizeram o que hoje sou.
ah! Quantas vezes fui chuva sem que se soubessem!
e em tanto, ou tão pouco tempo, quantos professores tive -
despertadores ambulantes,
com som de música:
tem gente que tem o dom de acordar a alma do outro.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

mas de vez em quando é bom a gente se perder,
só pra depois sentir o prazer de se encontrar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

esta noite, voltei pra casa leve -
você me fez ter vontade de colocar o colchão no quintal pra dormir olhando as estrelas.

(porque poesia serve pra isso:
pra fazer carinho no coração da gente)

sábado, 29 de janeiro de 2011

passarinho se não bate as asas,
esquece como é que se voa -
gente também:

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ela resolveu que deveria começar a regar a planta.
Na verdade, planta ainda não era – mas viria a ser.
As sementes ela mesma semeara, embora tivesse escolhido não saber o que delas poderia brotar:
A expectativa a encorajava.
Quando regava a terra, sentia-se menos infeliz: era como se uma outra vida dependesse da sua, então era necessário viver.
Sentia-se também mais forte: tinha o poder de decidir sobre aquela outra vida.
Podia matá-la se quisesse.
Mas aquele pensamento era mórbido demais para ela, então logo o abstraía.
Preferia sonhar com o primeiro broto – resultado de seu incansável trabalho.
O dia deste nascimento viria a ser ensolarado, de um calor que aquece o coração - como o são todos os dias de aleluia.
Depois ela cuidaria da planta, porque mesmo as coisas já crescidas precisam de atenção e afeto.
Não importava o que viria a ser a planta – se uma bela flor, se planta carnívora ou hortaliça – ela mesma não sabia bem diferenciar plantas.
O importante é que seriam as duas, ela e a planta, a cuidar uma da outra – só não se sabe ao certo quem é que dependeria mais de quem.
Mas agora, o jeito era esperar.