Não, já não é mais tudo cinza.
aos poucos, uma pequena luz amarela aparece, assim como uma criança, tímida, temendo pelo porvir, mas com uma curiosidade maior que o medo, se esgueirando devagarzinho pela fresta de uma enorme porta.
vejo seus olhos brilhantes, receosos, mas ao mesmo tempo ansiosos pelo surpreendente, pelo inesperado.
ou talvez, esperado.
Sim, aquele presente desejado por tanto tempo.
provavelmente, por mais tempo que possa ela mesma imaginar.
o inesperado a espera.
a luz toma um tom alaranjado.
conforme vai abrindo a porta, vai sentindo o vento.
uma leve brisa acaricia seu rosto.
a menina fecha os olhos para sentir melhor. Para ver melhor as cores.
seu corpo fica mais leve, sua mente também.
sensação boa essa (de sentir o vento soprar segredos ao pé do ouvido).
a menina sente cada vez mais vontade de avançar porta adentro
(ou seria afora?)
e encarar todas as próximas surpresas.
seu andar é mais confiante agora,
seu passo é mais firme.
a menina anda com leveza, apesar de ironicamente carregar uma pesada mochila nas costas.
ela leva na mochila tudo que lhe foi dado,
tudo que ela mesma adquiriu,
tudo que deu,
e até mesmo pequenas coisas que roubou.
(é, às vezes, ela não resistia em roubar um bocadinho da atenção dos outros).
embora pareça tão ingênua e tão...menina, essa pequena garotinha já aprendeu muito.
já tropeçou muito também.
em incontáveis vezes também caiu e chorou.
mas em todas, se levantou.
e ela deve muito aos poucos que lhe deram a mão e a impulsionaram a seguir,
mesmo quando não tinha mais vontade.
apesar de tudo, seus olhos sempre voltaram a brilhar.
exatamente como agora:
a porta escancarada, a menina a observar.
não é possível enxergar muita coisa, afinal, quem é capaz de ver o que está por vir?
mas, na verdade, não importa.
a menina está preparada e seus olhos brilham mais do que nunca:
quer, acima de tudo, aprender.
a menina é apenas mais uma mochileira caminhando pela estrada da vida -
o caminho nunca será longo demais para suas pernas, sua mente, seu coração e seu riso.
Na sua mochila, sempre haverá
mais espaço.
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